Em evento online da ABERJ, diretor do Banco Central comenta porque não crê em uma segunda onda de COVID-19 no Brasil

Em evento online da ABERJ, diretor do Banco Central comenta porque não crê em uma segunda onda de COVID-19 no Brasil

Em evento online, nosso entrevistado Fabio Kanczuk, diretor de Política Econômica do Banco Central, comentou vários pontos sobre os efeitos do COVID-19 na econômia brasileira, o cenário atual, as medidas já tomadas e comentou que não está previsto para nosso país uma “segunda onda” do coronavirus, como está acontecendo em outros países.

 

“Em nosso cenário básico não há uma segunda onda do vírus, que é a grande ameaça atual nos países desenvolvidos. Quando parecia que a pandemia já tinha acabado, veio a reabertura e as medidas de isolamento voltaram. Esse é o grande assunto hoje nos Estados Unidos e na Europa. O nosso cenário, aqui, é de que as coisas voltem sem uma nova onda.”

Apesar dessa boa perspectiva, de acordo com Kanczuk, o Banco Central estuda cenários alternativos, com base no que está acontecendo em outros países. Ele comentou que em caso de uma segunda onda, outras medidas serão tomadas em relação à economia, como por exemplo uma nova expansão de crédito.

“Nosso papel é atuar. A gente tem certeza de que, dependendo do caminho, se acontecer uma segunda onda, vamos com tudo de novo. Estamos prontos para atuar mais uma vez e fazer medidas de expansão de crédito novo. Mas é um pouco mais reativo do que pró ativo. Esse é o nosso papel. É assim que a gente vê a nossa atuação”, disse Kanczuk.

Retomada da economia

Falando sobre a recuperação da economia, Fábio Kanczuk afirmou que há várias indicações, podendo acontecer no formato de V (swoosh), onde depois de uma queda intensa, a recuperação inicia no mesma velocidade em que caiu. Existe também a representação em U, quando a retomada não é tão rápida ou ainda a W, que indica duas quedas com duas retomadas.

Kanczuk também comentou que quando acontecem crises econômicas, o sistema bancário tem que dar respostas e se refazer, assim como fazem os Estados Unidos, mas comentou que aqui a situação poderia ser diferente pois o sistema bancário do Brasil é sólido e reagiu bem às crises econômicas de 2008 e 2009.

“Nos Estados Unidos, o sistema bancário vai ter que se refazer, não vai ser algo rápido, lá tem todo um estudo de como crises financeiras mais se parecem com um U do que um V”, disse.

Já sobre o Brasil, o diretor crê que a economia poderá voltar em uma velocidade do U. Ele não crê que será no modelo V, com a recuperação mais rápida, porque existem setores que conseguem retomar, por causa do isolamento social. Nesse caso o cenário será o que é chamado pelos economistas como “swoosh”, com o gráfico parecido ao símbolo da Nike.

“Parece o símbolo da Nike, mas é um pouco diferente. É alguma coisa assim. Volta, não é um U, mas começa a perder um pouco de força, porque alguns setores não conseguem voltar.”

Varejo e indústria

Neste momento da pandemia, de acordo com Kanczuk, tanto as compras online como o movimento dos que receberam renda de programas do governo ajudaram setores como o varejo e indústria. Já outros setores não conseguiram responder rapidamente, como serviços profissionais à famílias, como cabeleireiro e serviços de limpeza, por exemplo.

“Esses não retornam com a mesma força e ficam meio em função da pandemia, de quando isso vai se encerrar”.

Para Kanczuk, dados como o da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), têm mostrado isso.  “Não teve surpresa nenhuma. Foi mais ou menos o que todo mundo esperava”.

Autonomia do Banco Central

Durante o evento, o diretor disse que a autonomia do Banco Central atrai mais os investidores externos que conhecem pouco o Brasil. “A minha impressão é de que o brasileiro não vê diferença, mas um cara que conhece bem menos de Brasil, e quer saber onde vai colocar o dinheiro, olha o país e vê que tem banco central independente, que é uma coisa de instituição correta”, afirmou.

Ele disse ainda que a Aberj se apresenta como a antiga entidade de classe representante do sistema financeiro, fundada pelos banco, e que o principal objetivo é o aprimoramento técnico. “Responsabilidade que margeia sua personalidade socioeconômica, política e cultural.”

Você pode ver a entrevista e a apresentação no link abaixo

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